União Vegetariana Internacional (International Vegetarian Union - IVU)
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9º Festival Vegano Internacional

Austrália, Victoria, Hepburn Springs, de dezembro de 1998 a janeiro de 1999

Organizado por Zalan Glen.
Continental Guest House, Hepburn Springs, Victoria, AUSTRÁLIA

De 25 de dezembro de 1998 a 1º de janeiro de 1999 (semana anterior ao Congresso da IVU em Chiang Mai, na Tailândia, que começou em 4 de janeiro)

O festival realizou-se em Hepburn Springs, Central Victoria, de 25 de dezembro de 1998 a 1º de janeiro de 1999. Houve um programa ampliado para os que quiseram ficar até 9 de janeiro de 1999. O tema do festival foi Saúde e Cura, permitindo a todos participar e concretizar o crescimento pessoal. Raro evento inteiramente vegano, com dezenas de veganos de todas as partes da Austrália e do mundo todo.

Foi oferecido um programa completo, com palestrantes locais, nacionais e internacionais variados e interessantes, que trataram dos principais temas de interesse vegano com foco na vida saudável. Houve um programa pacífico, criativo e estimulante para as crianças, além de creche.

O chefe de cozinha do festival foi Alexis Pitsopoulos, cujas delícias culinárias já eram saboreadas por moradores da região e turistas há sete anos, que também cuidara das refeições dos Festivais Regionais de Hepburn Springs realizados anteriormente. O cardápio, concentrado em produtos locais frescos mais uma deliciosa seleção vinda até do norte tropical da Austrália, garantiu uma saudável festa vegana.

Hepburn Springs e a vizinha Daylesford ficam no centro de uma região de fontes hidrominerais conhecida como o Spa da Austrália. O clima de verão do final de dezembro costuma ter dias agradáveis a quentes (acima de 30°C), com noites frescas (de até 15°C) e chuva ocasional.

São numerosos lindos passeios rústicos pelas trilhas de caminhada da Floresta Estadual, com vários lugares para mergulhar nos lagos e fontes locais. Havia massagistas e outros para complementar a série de profissionais talentosos. Eram numerosos os pontos turísticos regionais por perto.


Eis o testemunho de Ralph Blake:

Ouvi falar do Festival Vegano muitos meses antes da sua realização.

Eu só sabia que era sobre veganismo e que teria oportunidade de conhecer outros veganos. Até a véspera da minha partida ainda não sabia direito como seria. Assim, decidi que a minha expectativa seria não ter expectativas. Desse jeito eu não poderia me desapontar!

Continental House, em Hepburn Springs, seria o meu lar na semana seguinte. É uma pensão grande e antiga que me lembrou o tipo de lugar onde os meus avós se hospedariam quando saíam de férias. Cheguei a tempo do almoço de Natal e já havia muita gente lá.

Fiquei espantado com a variedade de pratos disponíveis. E todos veganos! Não precisei fazer nenhuma pergunta boba como “Leva carne, leite ou ovos?” Que jeito alegre de comemorar o Natal. Comida deliciosa e novos amigos.

Quando fiz contatos à mesa do jantar percebi que havia gente de quase todos os estados da Austrália e também do exterior. Outros países representados eram: Áustria, Reino Unido, Suécia, Dinamarca, Noruega, Alemanha, EUA, Malásia, Nova Zelândia e Canadá. Surgiram rostos novos durante a semana toda, logo dever ter havido umas 150 pessoas participando do festival. Um excelente nível de comparecimento.

Houve muitas atividades durante a semana. Todos os dias havia palestras sobre vários temas de interesse para veganos. Rene Beresford fez uma palestra muito inspiradora sobre a espiritualidade da dieta crudívora. Patty Marks fez uma descrição horrível e emocionada do sofrimento de galinhas, porcos e vacas nas mãos dos grandes fazendeiros. Também ficamos entusiasmados com Laurie Levy e o sucesso da coalizão contra a caça aos patos. Wayne John fez uma palestra interessante sobre alimentos veganos selvagens e chegamos a provar alguns. Eu nunca tinha ouvido falar deles antes!

Outras palestras admiráveis foram “A cura da natureza”, “Alimentos vivos”, “Pensamento criativo” e muitas outras, numerosas demais para citar. O Dr. Klaper, que não pôde se unir a nós pessoalmente, mandou uma saudação especial e desejos de sucesso gravados em vídeo. Houve também algumas demonstrações culinárias. As minhas favoritas foram os chips de maçã e a sopa de cenoura e gengibre; rápidos e fáceis de fazer e absolutamente deliciosos.

Saíamos para passear de manhã e tínhamos aulas de ioga toda tarde, para não ficarmos enrijecidos e doloridos demais por passar o dia todo sentados. À noite, tivemos cirandas e cantos e nos reunimos para festejar na discoteca Continental House. Certa noite tivemos a apresentação ao vivo da linda música de Heather e Kim.

O Fórum dos Escritores, mediado por David Horton e Alex Bourke, nos deu montes de informações sobre como escrever e publicar livros, principalmente livros sobre veganismo. Participei da produção de uma peça escrita por David e passamos várias horas ensaiando e melhorando o texto antes de apresentá-la na véspera de Ano Novo. Fiquei muito entusiasmado porque nunca servira de ator numa peça.

Na véspera do Ano Novo tivemos uma festa maravilhosa. Houve muitas apresentações de música, poesia, encenação, dança e canto. Foi muito divertido estar na platéia e também participar das atrações da noite. A música continuou tocando e vimos o ano novo chegar com muita alegria e otimismo. Foi uma comemoração especialíssima para mim, porque me senti totalmente livre para ser eu mesmo.

Muitos amigos novos partiram depois da primeira semana do festival, mas alguns, eu inclusive, decidimos ficar mais uma semana. A segunda semana foi muito relaxante comparada ao ritmo frenético da semana anterior. Muito tempo para fazer o que quiséssemos. Tivemos algumas palestras e oficinas só quando tínhamos vontade. Emanuel, fazendeiro orgânico da Áustria, organizou uma série de oficinas muito abrangentes sobre a teoria e a prática de cultivar alimentos. Fizemos um canteiro, plantamos e fizemos também uma pilha de compostagem. Tivemos também muito tempo para relaxar com ioga, meditação, natação, leitura, jogos ou apenas para passear a pé.

Khadi, de sete anos, e eu fizemos um torneio de xadrez e ela me venceu por dois jogos a um! Para variar um pouco, fomos até Mount Franklin e Castlemaine, onde houve um almoço delicioso no café Screaming Carrot.

No final da segunda semana, voltei para casa em Melbourne diferente do que era quando parti. Tenho muito mais confiança no meu estilo de vida vegano e agora posso compartilhar o veganismo com muitos amigos.

Antes, estava praticamente sozinho. Há tantas coisas novas que quero fazer agora, como escrever ou me tornar um ativista. Tenho dentro de mim um sentimento de alegria e amor forte e irrefreável, mais ainda do que quando me decidi a ser vegano.

Em nome de todos os que participaram do festival, gostaria de agradecer a Zalan por organizar um evento absolutamente fantástico. Foi uma tarefa difícil e às vezes sem reconhecimento, mas tenho certeza de que a iniciativa foi bem recompensada.

Obrigado também a Alexis e a todo o pessoal da cozinha. Preraparam refeições belíssimas com dedicação e amor. Foi um prazer apreciá-las, principalmente as sobremesas. Nunca pensei que comeria bolo de chocolate outra vez!

Finalmente, obrigado a todos os que fizeram palestras e oficinas; sem eles, não teríamos oportunidade de aprender e crescer numa nova direção.

Adorei cada minuto! Espero ver todos vocês no próximo festival vegano.

Ralph Blake.

Sumário dos Festivais Internacionais Veganos