União Vegetariana Internacional (International Vegetarian Union - IVU)
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6º Festival Vegano Internacional

Inglaterra, Bedfordshire, Biggleswade, Ickwell Bury - de 1 a 9 de agosto de 1992

Organizado por Barbara Gamsa-Jackson.

Primeiro evento do tipo a ser realizado na Grã-Bretanha. Incluindo os palestrantes e o pessoal das barraquinhas, houve quase 170 participantes de 16 países (Bélgica, Tchecoslováquia, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Itália, Letônia, Países Baixos, Noruega, Polônia, Portugal, Rússia, Espanha, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos).

A cobertura do evento pela imprensa foi publicada em: The Independant, The Spectator, The Daily Mail, Classical Music e The Biggleswade Chronicle (uma notícia completa e simpática). A cobertura pelo rádio incluiu: Radio 4 (Woman's Hour), 4 programas diversos do World Service, Greater Manchester Radio e Radio Bedford.

A semana foi toda um grande sucesso, do início ao fim, graças principalmente ao talento de organizadora de Barbara Gamsa-Jackson, aos palestrantes, que obviamente eram mestres em seus temas, e, finalmente, à maravilhosa comida vegana servida.

E também ao entusiasmo dos visitantes que vieram de 16 países, desde os dez primeiros a acampar no gramado, que lutaram para armar as suas barracas contra o vento forte, até os pouquíssimos que tiveram de se hospedar em pensões no povoado. Tinham de caminhar três quilômetros todo dia, na ida e na volta, para chegar à mansão.

Houve uma palestra de Howard Kent, diretor da Fundação Yoga for Health (responsável pelo local). Ele nos disse que a parte principal da casa datava de 1688 e que o celeiro onde foram realizadas as palestras talvez fosse ainda mais antigo. O velho relógio de 300 anos da propriedade ainda tocava, metálico e melodioso, e em certas partes da casa podia-se ouvir o barulho do seu sistema de polias.

O salão de entrada foi transformado numa loja interessante, com bom sortimento de livros de culinária, camisetas, adesivos e produtos Weleda à venda. Por ali passava um fluxo constante de recém-chegados pedindo informações. Muitos contaram histórias horríveis de terem ficado presos na estrada e perguntavam se estavam atrasados. "Não, entrem e venham jantar!".

Depois a semana engrenou com uma mistura animadora de palestras, vídeos e demonstrações culinárias. Michael O'Connell montou o seu enorme moedor de urtiga para nos mostrar como fazer uma polpa nutritiva com sabor de limão que poderia ser usada para alimentar o Terceiro Mundo e, sob o toldo, uma demonstração improvisada de como fazer uma panqueca vegana que não gruda. Houve um desfile de sapatos sem couro da empresa italiana Pada Kamala e Bill Russell nos contou como aperfeiçoara, com grande dificuldade, as cordas de violino sem produtos animais que fabrica em sua oficina de Manchester.

Louise Wallis contou como trabalhou disfarçada para fazer, com muita coragem, um vídeo sobre as atividades dos laboratórios de pesquisas em animais. Kathleen Jannaway mostrou um vídeo muito útil sobre como plantar hortaliças em combinação com a natureza. O Dr. Alan Long falou de agressões aos animais na produção de alimentos. Compassion in World Farming exibiu um vídeo sobre o sofrimento dos animais que vão para o matadouro. Com tudo isso e muito mais, a semana voou.

No domingo, chegaram mais 14 pessoas para armar barracas no gramado. Tiveram de brigar por espaço com vários montinhos. O vento diminuíra e nos deixou com um céu azul sem nuvens e sol brilhante; muitos levaram os pratos para comer no terraço de pedra, para onde voaram várias vespas para juntar-se à festa. Ninguém foi picado e com gentileza vegana elas foram espantadas ou esquecidas. Durante as refeições havia discussões animadas que prosseguiam até a hora da palestra seguinte, quando havia um êxodo geral rumo ao celeiro.

Alguns preferiram meditar na paz do jardim de rosas. Às vezes podia-se ver algum solitário sentado nos degraus que desciam até o lago, cercado de árvores. Só tinham de esperar e animais selvagens surgiam à sua volta.

Na quinta-feira havia 34 carros no pátio e chegaram várias crianças pequenas. Foi agradável vê-las brincando no gramado e saber que começaram a vida veganas.

Plantamos uma cerejeira junto ao muro do lado oeste, no jardim de rosas, e houve uma cerimônia tocante em que várias pessoas se reuniram em volta, dando-se as mãos num semicírculo.

- Resumo do texto publicado em The Vegan, inverno de 1992. (O relatório completo das palestras está em Vegan Views, outono de 1992).

Sumário dos Festivais Internacionais Veganos